UNE É SUSPEITA DE FRAUDAR CONVÊNIOS COM O MINISTÉRIO DA CULTURA

01/12/2009

Pelo menos nove acordos firmados com a entidade, no valor de R$ 2,9 milhões, estariam em situação irregular

 

Por Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

 

BRASÍLIA – Aliada do governo, a União Nacional dos Estudantes (UNE) fraudou convênios, forjou orçamentos e não prestou contas de recursos públicos recebidos nos últimos dois anos. A entidade chegou a apresentar documentos de uma empresa de segurança fantasma, com sede na Bahia, para conseguir aprovar um patrocínio para o encontro nacional em Brasília. Dados do Ministério da Cultura revelam que pelo menos nove convênios celebrados com a UNE, totalizando R$ 2,9 milhões, estão em situação irregular – a organização estudantil toma dinheiro público, mas não diz nem quanto gastou nem como gastou.

“Essas coisas acontecem, é complicado conveniar”, diz presidente da UNE

Lula e Dilma: paneilistas do último congresso da UNE, transformado em palanque eleitoral.

O Estado analisou dois convênios com prazo de prestação de contas expirado no ministério: o Congresso Nacional da UNE, realizado em julho, em Brasília, e o projeto Sempre Jovem e Sexagenária, celebrado em 2008, que tinha como meta produzir – até 4 de junho – 10 mil livros e um documentário sobre a história estudantil secundarista. O presidente da entidade, Augusto Chagas, de 27 anos, promete devolver o dinheiro, se forem comprovadas irregularidades.

Apesar de o governo ter repassado R$ 826 mil para os projetos, a entidade, mesmo cobrada, não entrega extratos bancários e notas fiscais, nem cumpre a “execução dos objetivos”, os livros e o documentário. Sobre os livros, uma cláusula do contrato diz que a UNE teria 60 dias para prestar contas, a partir de junho, ou restituir em 30 dias as verbas não usadas. Não fez nem uma coisa nem outra.

EMPRESA FANTASMA

A UNE forjou orçamentos para obter dinheiro para o encontro em Brasília. Em 16 de julho, o ministério liberou R$ 342 mil para o evento, que teve a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). A entidade apresentou estimativa de gasto de R$ 70 mil com hospedagem, R$ 29 mil para segurança, R$ 26 mil em passagens aéreas, entre outros. O ministério cobrou três orçamentos.

Para explicar a despesa com segurança, a UNE entregou o orçamento de empresa fantasma, com sede em Salvador, a 1.400 quilômetros do evento. O outro orçamento também é de uma empresa baiana, que ocupa uma sala de 30 metros quadrados e não tem funcionários.

A empresa fantasma é a Patorg Segurança. Os documentos entregues pela UNE ao governo mostram que a empresa declarou à Receita Federal como endereço o sexto andar de um prédio na Avenida Estados Unidos, em Salvador. A reportagem esteve ali na quinta-feira. No local não há empresa de segurança. Os vizinhos desconhecem a Patorg. “Eu trabalho aqui há 19 anos e nunca teve esse tipo de empresa”, disse o porteiro Valdir Alexandre dos Santos.

A UNE anexou um orçamento de R$ 36,4 mil da Patorg. Seu dono, Genovaldo Costa, é desconhecido no endereço, vive em Camaçari e não foi localizado.

A outra empresa, a MG Serviços de Limpeza e Portaria, ocupa uma sala num pequeno sobrado na Baixa dos Sapateiros. A UNE entregou um orçamento de R$ 32,2 mil da empresa, que não tem funcionário registrado, mas fez uma proposta de 280 seguranças, por R$ 115 a diária. O Estado foi três vezes ao endereço, mas não havia ninguém. Pelo celular, o dono, Marcos Guimarães dos Santos, disse que já prestou serviços à UNE, mas não deu detalhes.

Como a entidade não entrega a sua prestação de contas, ainda é um mistério a relação de quem foi contratado. Sabe-se, porém, que a UNE usou fantasmas para aprovar o convênio.

Os R$ 435 mil do Sempre Jovem e Sexagenária foram liberados em 5 de junho de 2008. A UNE apresentou orçamento de R$ 90 mil com pesquisa, R$ 50 mil para alimentação e hospedagem, e R$ 35 mil para imprimir o livro. O governo enviou ofício em 18 de junho passado lembrando que o convênio está encerrado e cobrou informações. Cinco meses depois, a UNE não deu satisfação.

Originalmente publicado em: http://www.estadao.com.br/

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MACHISMO E SELVAGERIA NA UNIBAN

18/11/2009

DECLARAÇÃO DA ASSEMBLEIA NACIONAL DE ESTUDANTES – LIVRE (ANEL)

Fotos: Kit Gaion

Protesto da ANEL contra o machismo na UNIBAN

Na semana passada, nos deparamos com uma manifestação lamentável de machismo e selvageria no campus do ABC paulista da Universidade Bandeirante (UNIBAN). Uma aluna foi para a aula com um vestido que, segundo julgamento de alguns estudantes, era inapropriado para estar na universidade. Assim, a estudante ouviu uma barbaridade de insultos e ameaças de estupro, chegando ao cúmulo de ter de sair da universidade escoltada por policiais.

As imagens que foram rapidamente colocadas em rede demonstram a selvageria e a que ponto chegou a postura machista e preconceituosa de boa parte dos estudantes da universidade.  Como era de se esperar, a direção da universidade e algumas notas da imprensa estão tentando minimizar o absurdo deste fato ocorrido, alegando que não houve tentativa de estupro, uma vez que não houve contato físico de nenhum homem ou mulher com a estudante.

Questionamos, no entanto essa interpretação, afinal, qualquer mulher que escute menos da metade dos palavreados que a estudante ouviu já se sente fortemente ameaçada por algum tipo de violência sexual. Lamentamos por isso, também o fato de muitas estudantes mulheres estarem em meio à confusão xingando a estudante que estava de “vestido curto”, afinal essas mesmas mulheres estão sujeitas ao mesmo tipo de agressão que a estudante sofreu.
Espanta-nos também o fato de que professores e funcionários da universidade também compunham a multidão que ameaçava de forma violenta e preconceituosa a estudante, chegando a parar as aulas para agredir verbalmente a aluna.

Estudantes do ABC paulista protestam contra o machismo

Essa manifestação demonstra que a opressão à mulher segue sendo motivo de humilhação e violência. Frente a essa situação, a direção da universidade deve constatar o retrocesso da discussão sobre a questão da mulher expresso neste fato e organizar institucionalmente uma série de debates, com entidades e movimentos classistas e feministas que discutam a questão, afinal as universidades são, ou deveriam ser, espaços de manifestação livre das idéias, não cabendo manifestações com essa carga de conservadorismo.

Ao invés de questionar a vestimenta da estudante, os estudantes deveriam questionar a mercantilização do corpo da mulher, e ao invés de culpabilizar as mulheres pelas roupas que usam, devem-se questionar os valores impostos na nossa sociedade que levam a manifestações animalizadas como a que presenciamos na Uniban. Enquanto a ideologia machista perdurar, os homens se sentirão no direito de manifestar esse tipo de comportamento. O movimento sindical, popular e estudantil deve se colocar a serviço da luta contra essa ideologia que divide homens e mulheres e desarma a luta por outro tipo de sociedade, mais humana, sem machismo e sem exploração.


 
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(11) 31077984

RELATORIA DA REUNIÃO REALIZADA NO DIA 14/11/2009, NA SEDE DA CONLUTAS.

18/11/2009

Companheiros e companheiras,
 
Segue para conhecimento de todos (as) alguns pontos que foram discutidos na última reunião do Coletivo Pagas para que vocês possam acompanhar as discussões.
 
Universidades/Faculdades que participaram da reunião:
 
PUC – COREU / PUC São Gabriel / UFMG / FUMEC / UNA e NEWTON PAIVA.
 
1.  Rodada de informes:
 
* D.A de letras (PUC-São Gabriel) – Os companheiros relataram sobre o sucateamento pelo qual o curso de letras está passando através do acordo feito entre o MEC e o instituto cultural da Espanha. O acordo consiste em o instituto“formar”, no período de três meses, professores para ministrar aulas de espanhol nas escolas da rede pública sem que estes profissionais tenham o requisito da graduação. Os companheiros também falam sobre a dificuldade de mobilizar os estudantes do curso.
 
* D.A de Comunicação da FUMEC – Uma das principais lutas do curso no semestre é com relação à queda da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Já foram realizadas palestras, debates e denunciam cotidianamente a imobilidade do sindicato da categoria. Também houve recentemente a tentativa de realização de um debate sobre o ENADE e seu perverso papel na “avaliação da qualidade do ensino”. Porém, a atividade foi censurada pela diretoria da FUMEC, que não permitiu a realização da atividade no espaço da universidade.
 
* D.A de Serviço Social PUC – COREU – Custo das mensalidades excessivas nos últimos períodos, inclusão de disciplinas virtuais na grade obrigatória, troca de professores qualificados (Doutores e Mestres) por professores com titulação mínima, corte de impressão, cobrança de mensalidade indevida, são alguns dos problemas mais graves sofridos pelos estudantes.
 
* D.A Comunicação Newton Paiva – O D.A. também tentou realizar, em unidade com estudantes da FUMEC, um debate acerca do ENADE. Porém, a reitoria colocou uma série de restrições que dificultou a mobilização dos alunos para participarem da atividade. O D.A. tem se engajado na luta contra a não obrigatoriedade de diploma para o exercício da profissão de jornalista, participando de debates, atos públicos e denunciando a má atuação e atrelamento ao governo do sindicato da categoria.
 
 
2. Discussões sobre o Movimento Estudantil Nacional:
 
Nesse ponto discutimos pautas mais gerais da educação e a necessidade de organização frente aos ataques da Reforma Universitária.
 
* Sobre a UNE e a necessidade de reorganização – A UNE hoje é uma entidade burocratizada, atrelada ao Governo Federal e distante da base dos estudantes e de suas lutas reais. Durante todo o processo de mobilização ocorrido por todo o país no último período a UNE se colocou veemente na defesa dos projetos do governo Lula se enfrentando com os estudantes. Todas as mobilizações ocorridas em defesa da educação se deram por fora da UNE. A experiência que os estudantes tiveram com as traições da UNE culminaram no Congresso Nacional dos Estudantes, que durante quatro dias discutiram e avaliaram a necessidade de uma entidade que de fato fosse construída e dirigida pela base dos estudantes, com princípios de democracia e independência, que fosse responsável por aglutinar todos os lutadores e lutadoras do Movimento Estudantil para dar conta dos desafios do próximo período. A ANEL (Assembléia Nacional dos Estudantes Livre) surge desse contexto de reorganização e da necessidade de lutar com independência contra os ataques dos governos federal e estaduais contra a educação e os estudante.
* Sobre o PROUNI e o financiamento da educação – O PROUNI é uma pauta importantíssima para a discussão no Movimento Estudantil de Faculdades Pagas. Ele é o principal bojo de financiamento do dinheiro público dentro da iniciativa privada na educação. No entanto, é necessário que este coletivo se comprometa em discutir a fundo o programa, que conheça suas diretrizes a fim de discutir com os estudantes e construir na base uma alternativa e um plano de lutas contra a reforma universitária de Lula. O tema é complexo por contar hoje com o apoio da maioria da base dos estudantes, portanto não deve ser tratado com superficialidade. Outro ponto importante com relação ao financiamento é com relação ao ENADE. O governo Lula através do BNDES vai injetar mais de 6 bilhões na iniciativa privada ( faculdades privadas). O ENADE servirá como um raking para quem vai receber a maior parte da fatia, ou seja, somente as universidades bem colocadas no ENADE receberão um financiamento. A proposta é de que o coletivo estude mais essa questão do financiamento para termos uma clareza de como mobilizar os estudantes.

* Sobre a organicidade do COLETIVO PAGAS – Tiramos que a princípio nossas reuniões serão quinzenais e itinerantes nas universidades.
   
3. Encaminhamentos e propostas:
 
Fazer um panfleto com uma nota de repúdio ao caso UNIBAN e no verso um texto de apresentação do Coletivo. (Élidy ficou de encaminhar uma proposta de texto sobre a UNIBAN até terça – feira no email – Ricardo ficou responsável pelo texto de apresentação do coletivo). A proposta é que todos leiam os textos e proponham mudanças até quinta – feira, a idéia é rodar na sexta para já começarmos as panfletagens na segunda.
 
Com relação a datas e horários das panfletagens ficou acordado que cada um fará a panfletagem na sua faculdade e deverá informar a todos a data e o horário das mesmas para que possamos acompanhá-las.
 
Foi feita também uma proposta de mudar o nome do Coletivo. Como não havia tempo hábil na reunião ficamos de discutir no email e votar outro nome ou se permanece o mesmo. Temos que fazer a votação ate na sexta, para que o material saia com o novo nome caso ele seja aprovado.

REUNIÃO DO COLETIVO PAGAS, AMANHÃ, ÀS 17H

13/11/2009

O QUÊ? Reunião do COLETIVO PAGAS.

QUANDO? Amanhã (sábado, dia 14) às 17h.

ONDE? Sede da CONLUTAS (Coordenação Nacional de Lutas). Endereço: Rua da Bahía, Edifício Amália Taboada, nº504, 3º andar. Centro de BH.

D.A. DE COMUNICAÇÃO DA NEWTON SOFRE RESTRIÇÕES PARA REALIZAR DEBATE SOBRE O ENADE

30/10/2009

OgAAAJ5CNC21GcBqZqeGhUhLCod3J4oALmVLPZHGqZ04Op0oFwbnbNOb47dvrvhTgK1W727_gswyuJfgoerhYMd37qcAm1T1UHHzFbvC-5E3kBxQeOBqO_baDTBYPor Ricardo Malagoli, do D.A. de Comunicação

O D.A. de Comunicação Social do Centro Universitário Newton Paiva recebeu um telefonema por volta das 20h desta sexta-feita (30), véspera de feriadão. O contato foi realizado pela coordenação do prédio de comunicação integrada da instituição (NP4). Informaram aos ativistas estudantis que o estúdio de TV reservado com duas semanas de antecedência para a realização do debate “ENADE e Qualidade de Ensino” não mais poderia ser utilizado pelo D.A. Explicitaram também que a restrição, aparentemente “administrativa”, foi imposta diretamente pela pró-reitoria acadêmica na pessoa do professor Sudário Papa Filho; um experiente profissional na arte de administrar instituições que mercantilizam o saber humano.

Os argumentos utilizados pelos funcionários, sob recomendações da pró-reitoria acadêmica, eram de que o laboratório de TV não poderia ser utilizado para atividades não relacionadas às disciplinas de produção áudio-visual. Além disso, o D.A. de Comunicação não teria cumprido com todo o trâmite burocrático exigido pela instituição para reservar o local.

Estranhamente, há muitos anos, o estúdio de TV do NP4 é amplamente utilizado para eventos diversos como palestras, debates, lançamentos de livros e revistas acadêmicas, apresentações de TCCs, recepção de calouros e um longo etcétera. Somente quando o D.A. reservou o espaço para a realização do debate, que abordará um tema muito temido pelas instituições privadas de ensino, o ENADE, essa restrição foi imposta, nas vésperas da realização do evento. Isso, após o D.A. ter gasto uma grande quantia em dinheiro para a produção do material de divulgação do evento.

Os ativistas do D.A. de Comunicação haviam, muito antecipadamente, procurado a Coordenação do Curso de Jornalismo a fim de reservarem um local para a realização do debate. Além disso, eles também procuraram o professor que normalmente utiliza o estúdio ás terças-feiras para consultá-lo sobre a disponibilidade do estúdio, que foi confirmada. Finalmente, os alunos fizeram a reserva no departamento competente, a coordenação do NP4, e concluíram os entraves burocráticos. Ou seja, a academia já estava previamente ciente quanto ao tema, o local, a data e o horário da realização do evento.

Como a direção da FACISA (Faculdade de Ciências Sociais Aplicadas) não esboçou qualquer perspectiva de solução do problema, a diretoria do D.A. procurou o professor Leonardo Magno, que além de docente da instituição também é seu assessor de imprensa. A solução apresentada foi a reserva de uma sala de aula para a realização do evento, como meio de conter um descontentamento maior dos ativistas estudantis.

Ficou definido como local de realização do evento a sala 306, da Unidade 800. A data (03 de novembro) e o horário (19h) permanecem os mesmos.

DIA 3 DE NOVEMBRO TEM DEBATE SOBRE O ENADE NA NEWTON PAIVA

30/10/2009

O QUÊ? Debate “ENADE e Qualidade de Ensino”

ONDE? Newton Paiva – AV. Carlos Luz, 800, Caiçara – Estúdio de TV do prédio de Comunicação Integrada

QUANDO? dia 03 de novembro, às 19h

O D.A de Comunicação Social do Centro Universitário Newton Paiva promoverá no próximo dia 03, terça-feira, às 19h, no estúdio de TV da instituição, um debate sobre “ENADE  e Qualidade de Ensino”. O intuito da entidade é levar aos acadêmicos da instituição o debate sobre as debilidades do exame oficial enquanto ferramenta de avaliação da qualidade do ensino. Para enriquecer o debate, foram convidados dois grandes acadêmicos de Belo Horizonte, sindicalizados no ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior):

Roberto Martins
Mestre em Direito Internacional e Comunitário (PUC), graduado em Direito (PUC) e Filosofia (UFMG). Membro do Instituto Latino-americano de Estudos Sócio-Econômicos (ILAESE).

Leovegildo Leal
Jornalista, ex-editor de grandes revistas nacionais, doutor em Sociologia (USP), especialista em Teorias da Comunicação com ênfase em Escola de Frankfurt.

O debate também contará com a presença de integrantes da Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL) e do COLETIVO PAGAS.

10 BONS MOTIVOS PARA SE BOICOTAR O ENADE(*)

30/10/2009

O ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes) faz parte do SINAES – Sistema Nacional de Avaliação das Instituições de Ensino Superior, proposta pelo Governo Federal, que “aprimora” o antigo “Provão” do Governo FHC. A estrutura do ENADE, entretanto, mantém aspectos absurdos, abaixo listados,  que justificam a proposta de boicote sustentada por várias entidades do movimento estudantil e docente. Boicotar o ENADE não significa faltar a prova: infelizmente, a presença no dia da prova é obrigatória. Porém, a tradição do boicote se constitui em assinar a avaliação e deixá-la em branco, colando ou não um adesivo de protesto. Veja abaixo 10 bons motivos para se boicotar o ENADE:

1. RANQUEAMENTO – O ENADE, a exemplo do Exame Nacional de Cursos (Provão), realiza o categorização das universidades em 5 níveis. Isso cria um reanqueamento de instituições que é comumente utilizado como propaganda publicitária para o mercado, enfatizando uma visão mais produtivista do ensino em detrimento do seu papel social (identidade social da Universidade). Educação não é mercadoria! É um direito humano fundamental!

2. OBRIGATORIEDADE – A realização do ENADE é um componente curricular obrigatório do estudante. Dessa maneira, todos os estudantes convocados devem estar presentes no local da prova, caso contrário, constará no seu histórico acadêmico a sua irregularidade. Aos estudantes que não comparecerem à prova não será concedido diploma.

3. PREMIAÇÕES – Segundo o artigo 5º do SINAES, parágrafo 10º, “aos estudantes de melhor desempenho no ENADE o Ministério da Educação concederá estímulo, na forma de bolsa de estudos, ou auxílio específico, ou ainda alguma outra forma de distinção com objetivo similar, destinado a favorecer a excelência e a continuidade dos estudos, em nível de graduação ou de pós-graduação, conforme estabelecido em regulamento”. No lugar de uma assistência estudantil pública, gratuita e universal, comprometida com a permanência do estudante na universidade e com a livre produção de conhecimento, o governo oferece uma bolsa de caráter meritocrático somente para aqueles que, aos seus olhos, foram lapidados pela “universidade-shopping”.

4. DESRESPEITA AS DIVERSIDADES REGIONAIS – A prova a ser realizada é única, sendo assim, o estudante da Bahia realizará a mesma prova que o do Paraná, desconsiderando as particularidades sociais, políticas, econômicas e culturais entre esses estados.

5. AVALIAÇÃO RESTRITA – A avaliação dos estudantes é feita em apenas 1 (um) dia de prova, não levando em conta a vida acadêmica do estudante e o processo em que este está inserido na Universidade.

6. PUNITIVO X PROPOSITIVO – Ao ser punitivo, o ENADE não fornece uma análise crítica e propositiva para intervenções visando sanar os problemas.

7. FINANCIAMENTO – No caso das universidades públicas, a avaliação prioriza a regulação e o controle do ensino superior, e não o seu financiamento. Dessa maneira, o ENADE não garante a melhoria das condições do ensino público e consequentemente, não visa uma política de expansão com qualidade das universidades públicas.

8. IMPOSIÇÃO ANTI-DEMOCRÁTICA – O ENADE foi imposto através de Medida Provisória pelo Governo Lula, não havendo, portanto, participação da sociedade no processo de construção do sistema de avaliação.

9. IGNORA A COMPLEXIDADE DO SISTEMA EDUCACIONAL BRASILEIRO – O sistema de ensino superior do Brasil deve ser entendido através das sua diversidade de instituições (Universidades, Centros Universitários, Faculdades Isoladas, etc.), cada um com suas particularidades, devendo o MEC legitimar essa diversidade e avaliar de acordo com as especificidades.

10. CENTRALIZAÇÃO DO SISTEMA DE AVALIAÇÃO – A Comissão responsável pela coordenação e planejamento do exame (CONAES) é composta majoritariamente por representantes do MEC, ou pessoas indicadas por este, havendo apenas 1 (uma) representação discente, 1(uma) representação docente e 1 (uma) representação técnico-adminstrativa. Dessa maneira, o processo de avaliação é centralizador, havendo ausência de critérios para a sua composição que indiquem a participação das Instituições de Ensino Superior e da sociedade civil.

(*)Texto adaptado de uma publicação da ENESSO – Executiva Nacional de Estudantes de Servico Social.

FUMEC CENSURA DISCUSSÃO SOBRE O ENADE

30/10/2009

Não é a primeira vez que a direção da FUMEC impõe restrições políticas aos estudantes. Leiam abaixo o depoimento do companheiro Tiago Haddad, do D.A. de Comunicação da FUMEC.

Caros companheiros,

Universidade Autoritária

 Aqui em Belo Horizonte estamos organizando o boicote ao Enade através do COLETIVO PAGAS, que fará palestras e organizará o boicote. Na Fumec (Fundação Mineira de Educação e Cultura) o debate estava garantido até a manhã de hoje, quando o coordenador do curso de Comunicação convocou o D.A. para uma reunião para explicar que a direção da faculdade o procurou e recomendou o indeferimento do pedido de sala para a realização do debate.

Para a direção a palestra não iria contribuir para a imagem da instituição frente ao MEC, visto que o boicote prejudica a nota recebida na avaliação. Nada espantoso para uma instituição que atualmente sobrevive única e exclusivamente da imagem, pois sua preocupação com a qualidade de formação e com a real necessidade dos estudantes foi demonstrada no final de 2007 com a demissão de 15 professores do corpo docente do curso de comunicação. Esses 15 eram justamente os engajados em fazer da academia um espaço de reflexão e questionamento, pautados pelo projeto pedagógico da formação crítica, projeto que hoje já não existe mais. Eles eram a barreira que impedia a alteração desse projeto para fins mercadológicos, que preterem a teoria em favor da técnica. O negócio é botar os alunos pra mexer logo com photoshop porque é essa concepção alienada que os secundaristas tem do curso.

Independente da aprovação ou não da universidade, o D.A. de Comunicação irá manter a luta pelo boicote distribuindo adesivos. E continuaremos procurando uma forma de realizar o debate. Contamos com a ajuda dos companheiros do Movimento Estudantil para juntos dizermos NÃO à mercantilização da educação. Vamos construir uma avaliação de verdade, comprometida com a formação crítica e de qualidade!

 TODOS AO BOICOTE DO ENADE!

EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA!

Tiago Haddad
Presidente do D.A. de Comunicação Social da Fumec
Integrante do COLETIVO PAGAS – Resistência Estudantil em Instituições Privadas de Ensino Superior

POR UM MOVIMENTO UNIFICADO E COMBATIVO NAS PARTICULARES

06/10/2009

O COLETIVO PAGAS reúne ativistas do movimento estudantil que estudam em instituições privadas de ensino superior em Belo Horizonte/MG.

A maioria de nós, estudantes brasileiros, é excluída do acesso à educação pública e gratuita. Cerca de 82% das instituições de ensino do país são privadas. Sofremos diariamente os ataques das empresas que, com apoio do Governo Federal, mercantilizam o saber.

Desde o início da década de 80, as políticas neoliberais impostas pelo Banco Mundial e o FMI têm garantido que os grandes capitalistas que exploram o “mercado da educação” se beneficiem enormemente dos incentivos e ajudas financeiras dos governos.

No Brasil, isso se tornou ainda mais evidente durante no Governo Lula, que traiu o povo e continuou levando a cabo os projetos neoliberais para a educação. Sem seus financiamentos bilionários por meio do BNDES, sem os programas de isenção fiscal, o FIES, o Prouni, as anistias das dívidas etc, as universidades privadas brasileiras teriam entrado em colapso.

Isso mostra de forma muito clara que, além das mensalidades altíssimas, em última instância, o dinheiro suado dos impostos pagos pelo povo trabalhador é o que garante boa parte dos lucros desses parasitas.

Com a crise econômica, muitas dessas instituições quebraram em todo o país. Nesse processo, várias foram compradas pelos tubarões do setor. É o caso de instituições belorizontinas como o Centro Universitário Newton Paiva (comprado pelo Grupo Splice), o UNI-BH e o UNA (ambos adquiridos pelo Grupo Anima).

Nessas e em outras universidades tradicionais de Belo Horizonte, como a PUC-Minas, por exemplo, as mantenedoras têm avançado na precarização do ensino, implantando a educação à distância, superlotando salas, não investindo no quadro de funcionários e docentes, bibliotecas, salas, prédios e laboratórios; cortando bolsas e obrigando estudantes inadimplentes a abandonarem seus cursos. As mensalidades só aumentam a cada semestre, com reajustes constantes que superam até mesmo os índices de inflação.

Ainda não satisfeitos com todos os ataques já proferidos contra os estudantes, os mercadores do saber criaram também o CINEB – Cadastro de Informações de Estudantes Brasileiros, uma espécie de o “SPC da educação” que os permite perseguir e criminalizar os estudantes pobres que caem na inadimplência.

O que se vê hoje no ensino privado é um vampirismo total. Não podemos assistir a toda essa exploração de maneira passiva. Educação não é mercadoria; é um bem público que deve ser garantido pelo Estado. Precisamos nos unir, nos organizar para lutar contra essa realidade torpe! Já nos enfrentamos contra a ditadura, derrubamos Collor, lutamos pelas Eleições Diretas, defendemos o petróleo brasileiro… Chegou a hora de lutarmos contra as políticas neoliberais para o ensino e os capitalistas da educação!

O COLETIVO PAGAS foi criado para que possamos resistir contra todos esses ataques. Ele surgiu da iniciativa de estudantes que acreditam que a unificação das lutas contra a mercantilização do ensino é uma necessidade urgente.

Hoje, companheiros da PUC-Minas, Newton Paiva, FUMEC e UNA constroem o coletivo. Seguem os contatos de alguns dos integrantes do coletivo, divididos por instituição:

FUMEC Tiago Haddad – D.A. de Comunicação – tiagohaddad@yahoo.com.br

PUC Coreu Washington Oliveira – D.A. de Serviço Social – yoshisilver@hotmail.com;

Newton Paiva Ricardo Malagoli – D.A. de Comunicação – ricardo.luthor@gmail.com;

UNA Hernane – D.A. de Serviço Social – dugrillocroa@hotmail.com.

Venha e se junte a nós nessa trincheira! Envie-nos um e-mail para coletivopagas@gmail.com.

Nos vemos nas lutas!

PRIVATIZADO

30/09/2009

Bertold Brecht*

Privatizaram sua vida, seu trabalho, sua hora de amar e seu direito de pensar. É da empresa privada o seu passo em frente, seu pão e seu salário. E agora, não contentes, querem privatizar o conhecimento, a sabedoria, o pensamento, que só à humanidade pertence.

*Eugen Berthold Friedrich Brecht (1898 – 1956) é um dos autores alemães mais importantes do século XX, especialmente nas suas facetas de dramaturgo e de poeta. De formação marxista, Bertolt Brecht (seu nome artístico) dava grande importância à dimensão pedagógica das suas obras de teatro: contrário à passividade do espectador, sua intenção era formar e estimular o pensamento crítico do público.