ESTUDANTES BRASILEIROS APROVAM AÇÕES DE SOLIDARIEDADE AO POVO DO HAITI

Além da plenária nacional, a ANEL também se incorporou em atos públicos que denunciaram o recrudescimento da ocupação militar do Haiti.

Cerca de 200 estudantes ocuparam o ginásio da UCSAL para participar da primeira atividade Nacional da ANEL em 2010. A mesa foi inicialmente composta pelo representante da Conlutas, Mancha; o representante do Andes- SN, Rodrigo Dantas; o estudante Otávio Calegari, que estava no Haiti no momento do terremoto e por fim pelo membro da Comissão Executiva Nacional da ANEL, Henrique Saldanha. A atividade foi apresentada por Luiz e Ilze, representantes estaduais da ANEL Rio de Janeiro e Bahia.
 
A discussão iniciada pelo ANDES e em seguida pela Conlutas abordou a Conjuntura retomando desde o difícil ano de crise em 2009 até o apontamento dos grandes desafios colocados ao conjunto dos movimentos sociais em 2010. Ambos os representante ressaltaram a importância da aliança do movimento estudantil com os trabalhadores para superar as traições das direções governistas da CUT e UNE, construindo uma nova direção combativa e independente tanto para o movimento sindical e popular quanto para o movimento estudantil. Na perspectiva da necessidade da unificação dos movimentos, Mancha da Conlutas apresentou o CONCLAT (Congresso Nacional da Classe Trabalhadora) que terá como tema a unificação entre a Conlutas e a Intersindical em uma só ferramenta independente da classe trabalhadora.
 
O segundo momento da mesa foi tomado pela discussão em torno do Haiti. A plenária ficou atenta a apresentação do estudante Otávio Calegari que esteve no Haiti durante o terremoto pois participa de um grupo de pesquisa sobre o país. Otávio relatou com detalhes sua experiência desde sua chegada até os momentos pós-terremoto. Ele relatou suas percepções pela experiência concreta de visitas à fabricas, que superexploram a barata mão-de-obra haitiana, e até a maior favela de Porto Príncipe, Cité Soleil. O estudante expôs a situação de completa ausência do Estado e de qualquer contribuição das tropas de ocupação mesmo antes do desastre natural. O estudante criticou também o papel de ONGs que cumprem um papel auxiliar as tropas da Minustah.
 
Otávio contou que após o terremoto o caos social do país ficou ainda mais evidente: os corpos pelo chão, a falta de ajuda, comida e água se tornaram o cotidiano do país. Apesar disso, Otávio conta que não foram às tropas de ocupação que cumpriram o “papel humanitário”. Ele presenciou a solidariedade do próprio povo que por si só buscou comida e água, lutou para resgatar os corpos e montou os acampamentos para os desabrigados. Todo seu relato se tornou um exemplo vivo de que o Haiti precisa de fato de ajuda mas que somente uma Campanha de Solidariedade construída de forma independente e entregue as organizações dos trabalhadores haitianos é possível reverter de fato algo ao país.
 
Henrique Saldanha, pela ANEL, se apoiou no exemplo de experiência vivida por Otávio mas também na sua própria experiência como negro e morador da Bahia, estado com a maior população negra do país, para debater o tema acerca de toda a exploração e opressão sofrida pelo povo negro e haitiano e as conseqüências do terremoto para o Haiti. Henrique lançou as bases da Campanha da ANEL “Estudantes Brasileiros em Solidariedade ao Haiti – O Haiti precisa de ajuda, não de ocupação militar”. O estudante explicou a importância da construção de uma campanha classista de solidariedade também pelos estudantes. Somado a isso, ressaltou que diferentemente da UNE que em seu último Congresso aprovou apoio as tropas da ONU, é necessário intensificar o debate contra a ocupação militar no Haiti. A campanha tem objetivo de ir a Escolas e Universidades do país inteiro para debater o tema e arrecadar fundos para serem enviados ao Haiti através da Campanha já iniciada pela Conlutas.
 
Por fim, foi chamado a mesa para uma saudação o haitiano Frank Seguy. Ele retomou o histórico de dominação pelo imperialismo no país e reforçou o informe de Otávio, contando outras experiências com as tropas de ocupação. Por fim, agradeceu e reforçou a importância da campanha de solidariedade ao Haiti construída de forma independente.
 

Após as apresentações, a plenária foi seguida com várias intervenções de estudantes e entidades do Brasil inteiro. Foram muitos informes da construção da ANEL nos Estados, das lutas nas Universidades e Escolas e dos novos desafios ao movimento estudantil.

Anel Bahia e Conlutas apresentam o debate sobre Questão racial

O segundo momento da plenária foi tomado pelo debate sobre a questão racial. A mesa contou com o representante do GT de Negros e Negras da Conlutas, Júlio Condac e com o estudante Jean representando a ANEL Estadual Bahia, primeira estadual a realizar Iº Seminário de Consciência Negra da Anel. O debate girou em torno do debate sobre a questão racial evidenciando toda opressão sofrida pelos negros e negras. O programa defendido por ambos os representantes incluia uma perpectiva de raça e classe na luta contra a combinação da exploração capitalista e da opressão étnico-racial, esta última responsável pela manutenção e ampliação do abismo sócio-econômico existente entre brancos e negros.

Nesse ponto da plenária também foi aprovada que a ANEL assinaria e participaria do encaminhamento do processo contra a violência presenciada por diversos manifestantes ao final da marcha do Haiti na noite do dia 29/02. Um policial atirou em um morador de rua, negro e pobre, achando que crime passaria anonimamente porém houve grande manifestação no momento na qual a população e os manifestantes repudiaram o ato.

Por fim, a partir de toda discussão feita na plenária todos presentes aprovaram uma carta ao conjunto do movimento estudantil que sintetiza toda discussão feita nessa vitoriosa plenária. Leia a carta em http://anelivre.blogspot.com/
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